Estarreja escolhe a natureza: Rede Municipal de Microrreservas vence votação do ECO
No âmbito do processo participativo ECO – Estarreja Colaborativa e Orientadora, a comunidade elegeu a “Rede Municipal de Microrreservas” como projeto vencedor. Com um financiamento de 100 mil euros, assegurado pela Comissão Europeia via projeto TRANS-lighthouses, a sua materialização terá lugar ao longo de 2026.
Com a mobilização de 193 cidadãos e um total de 386 votos, a comunidade teve a possibilidade de eleger duas propostas entre as 10 a votação, exercendo o seu poder de decisão sobre o território e sobre o futuro das políticas públicas ambientais do concelho.
A proposta vencedora, orientada para a criação de pequenas áreas de conservação da natureza distribuídas pelo concelho, reuniu 70 votos. Em segundo lugar ficou a proposta “Trilhos do Vale Antuã: Valorização do património Natural e Cultural”, com 57 votos, seguindo-se o projeto “Arroz Estarreja: Incentivo e valorização da orizicultura”, com 51 votos.
A futura Rede Municipal de Microrreservas assenta numa abordagem de Soluções baseadas na Natureza, e tem como meta a criação de, pelo menos, duas microrreservas por freguesia, garantindo um impacto abrangente e cobrindo as várias especificidades territoriais. Pretende proteger valores naturais relevantes, promover a biodiversidade e o restauro ecológico de áreas ameaçadas ou degradadas, e reforçar a conectividade ecológica do território. Para além da conservação, o projeto prevê também uma forte componente educativa e de envolvimento da comunidade, potenciando o contacto direto da população com os ecossistemas locais.
A sua implementação terá início em 2026 e será desenvolvida de forma faseada, com o estabelecimento de um mínimo de duas microrreservas ainda este ano, e envolvendo proprietários, associações, comunidade científica e população em geral, num modelo de corresponsabilização e governação participativa do território. A escolha agora expressa pela comunidade constitui um passo relevante para a valorização do património natural do concelho e para o reforço da relação entre a comunidade e a natureza.
Este resultado reforça a importância do ECO enquanto instrumento de participação pública, permitindo aos cidadãos contribuir diretamente para a definição de prioridades de investimento municipal e para a construção de políticas públicas mais próximas das necessidades e expectativas da comunidade. Assim, a priorização efetuada pela comunidade, sob a forma de votação, constitui agora um referencial para o futuro. Nesse sentido, a viabilização das restantes propostas será objeto de avaliação, caso surjam janelas de oportunidade em sede de orçamento municipal ou através da captação de financiamentos externos.
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