Estarrejazz regressa de 7 a 11 de outubro com novo formato
Uma edição singular na história do Festival
Mais do que uma sala: 6 ambientes distintos; 6 projetos; 6 espaços.
Com o encerramento temporário do Cine-Teatro de Estarreja para obras de beneficiação, a 21ª edição do Festival Estarrejazz apresenta uma nova configuração, distribuindo o programa por diferentes espaços do concelho.
Nesta edição, o Festival desenha um novo roteiro que transforma vários pontos do concelho em palcos privilegiados das sonoridades do jazz, unindo artistas nacionais consagrados e o público. Uma programação assente no conceito “O jazz encontra o lugar”, que preserva a qualidade e a identidade do ESTARREJAZZ e aproxima o festival do património, da cidade, das freguesias e das pessoas.
A abertura do festival faz-se no Salão Nobre dos Paços do Concelho, no dia 7 de outubro, quarta-feira, às 21h30, com uma presença internacional: a cantora e compositora brasileira Anna Setton, que moldou a sua voz e musicalidade navegando pelas noites de jazz de São Paulo, mergulhou nos universos da bossa nova e da Música Popular Brasileira (MPB) e daí emergiu com uma música fresca, melódica e original. Acompanhada por Edu Sangirardi (teclado) e Pedro Santos (bateria), a artista traz a Estarreja temas inéditos que farão parte do seu próximo trabalho, bem como alguns grandes clássicos da música brasileira.
No dia seguinte, às 21h30, o festival muda-se para o jardim da Biblioteca Municipal. O baterista, músico e compositor João Martins apresenta "Oxímoro”. Inspirado no álbum homónimo, este espetáculo propõe uma viagem sonora onde o caos e a harmonia, o silêncio e a intensidade, o planeado e o improvisado, se entrelaçam numa dança constante. Musicalmente, Oxímoro move-se entre o jazz fusão e o experimentalismo, cruzando diferentes linguagens, do rock progressivo aos ritmos urbanos e populares.
A Praceta do Mercado recebe, no dia 9 de outubro, sexta-feira, às 21h30, o projeto NoA que com o convidado Rão Kyao, apresenta o projeto Concavexo, que nasce no jazz, passeia-se pelo rock, pela pop, pela canção portuguesa, e desagua constantemente em sítios imprevisíveis. Neste projeto assistimos a um encontro que junta a matriz cosmopolita e o groove do trio à flauta de bambu e ao saxofone de uma das figuras mais marcantes da música portuguesa.
O Hugo Santos Quintet apresenta o mais recente projeto do baterista e compositor Hugo Santos, “Out in the city, blooming in a cold world outside". Através de composições originais, o projeto traduz em música um olhar atento sobre o quotidiano, onde a cidade, o movimento e a introspeção se transformam em som. O ensemble promete uma experiência musical imersiva e atual. Este projeto, inserido na estratégia do evento e da autarquia em apoiar os jovens valores, é resultado da parceria com a Universidade de Aveiro (UA). O Hugo Santos Quintet foi o vencedor em 2025 da 5.ª edição do Concurso Internacional de Jazz, promovido pela UA, no âmbito do festival Campus Jazz. Apresenta-se a 10 de outubro, sábado, às 17h, no átrio do Paços do Concelho.
Ainda neste dia, o festival chega também a Avanca. Às 21h30, o auditório do Centro Paroquial acolhe o Coimbra Jazz Ensemble para o espetáculo "Como Um Sonho Lindo", uma homenagem à densidade poética e política da obra de Fausto Bordalo Dias, relida através do jazz. Criador de uma linguagem estética inconfundível, Fausto inscreveu no nosso imaginário um repertório onde a História, a reflexão política e a tradição popular se entrelaçam com rara densidade poética, desafiando sucessivas gerações a escutar para além do óbvio e a redescobrir matrizes sonoras menos exploradas. A ligação a Estarreja é particularmente relevante: João Mortágua, natural do concelho, integra o ensemble como saxofonista e assume, com Luís Figueiredo, os arranjos e a direção musical do espetáculo. O projeto permite, assim, articular um legado maior da música portuguesa com criação contemporânea e com um músico profundamente ligado ao território e à história do ESTARREJAZZ.
O encerramento do certame está marcado para domingo, 11 de outubro, às 17h, no Museu Fábrica da História - Arroz com um dos momentos mais aguardados desta edição: Carlos Bica & Azul e a celebração dos trinta anos desde que Carlos Bica lançou “Azul”. O contrabaixista português volta a juntar-se ao guitarrista alemão Frank Möbus e ao baterista norte-americano Jim Black, num concerto que assinala a empatia entre estes três músicos, que continuam a criar repertório original e a ir beber aos mais variados géneros – do jazz ao rock e da pop à música tradicional.
As entradas são gratuitas e limitadas à capacidade do espaço.


