Livro sobre História da Sta Casa e Palestra com Daniel Serrão

75º Aniversário da Misericórdia de Estarreja

Sexta, 22 de Outubro 2010

A Santa Casa da Misericórdia de Estarreja comemora 75 anos. Para este fim-de-semana estão agendadas duas iniciativas, uma palestra com Daniel Serrão sobre Eutanásia, na sexta às 21h30, e o lançamento do livro “História da Santa Casa da Misericórdia de Estarreja”, no sábado às 11h.

Esta sexta-feira, dia 22, às 21h30, a Biblioteca Municipal de Estarreja recebe a palestra proferida por Daniel Serrão subordinada ao tema “Reflexão Médica e Ética sobre a Eutanásia”, tema pertinente e fracturante na sociedade portuguesa e que será um grande contributo para a sua reflexão.

No sábado, dia 23 o livro a “História da Santa Casa da Misericórdia de Estarreja” é apresentado no Edifício dos Paços do Concelho, às 11h00. O livro é um estudo histórico da autoria de Marco Pereira e conta com os testemunhos de D. António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro, D. António Marcelino, Bispo Emérito de Aveiro, e Rosa de Fátima Figueiredo, Provedora da Misericórdia de Estarreja.

 

HISTÓRIA DA SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE ESTARREJA                                           

Misericórdia de Estarreja

No início de 1923 começavam os esforços para a criação de uma Misericórdia e Hospital, com uma campanha alimentada na imprensa local pelo Padre Donaciano de Abreu Freire, Reitor de Beduído. Não tardou que se juntassem as elites da concelho de Estarreja numa grande reunião, decorrida nos Paços do Concelho, e na qual se formaram diversas comissões, que ficaram encarregues da angariação de fundos nas freguesias. No entanto os entusiasmos esmoreceram pouco tempo depois e as comissões ficaram definitivamente inactivas.

Inconformado, o Padre Donaciano procurou o Visconde de Salreu, no início de 1926, e expôs-lhe os seus sonhos: uma Misericórdia e um Hospital no concelho de Estarreja. O Visconde de Salreu, enriquecido no Brasil e benemérito na terra natal, ficou sensibilizado e prometeu custear a construção do Hospital. As obras arrancam no mesmo ano, mas devido à crise que afectava o Brasil haveriam de prolongar-se até 1935.

Construído o Hospital e um Asilo para idosos e inválidos, era altura de fundar a Misericórdia, em reunião que teve lugar na Câmara de Estarreja em 4.10.1935, e na qual se aprovaram os primeiros estatutos e elegeu-se a primeira Mesa Administrativa. A instituição seria assim fundada para receber do Visconde de Salreu o Hospital e Asilo, doados em 1936 e construídos num monte com vista para a então Vila de Estarreja.

Entretanto, porque a tuberculose atingia muitas vítimas, criaram-se os Serviços Anti-Tuberculose, com um Dispensário (cuidados de saúde) e Pavilhão-Abrigo (internamentos). Abertos em 1941, teriam posteriores ampliações e melhoramentos, sucessivamente inaugurados em 1953 e 1958. O edifício já estava desocupado quando em 1975 nele começou a funcionar o Centro de Saúde de Estarreja.

Após o 25 de Abril de 1974 ocorreram diversas modificações. O Hospital passou a ser administrado pelo Estado em 1975, perdendo a Misericórdia a sua principal valência. E durante alguns anos, até 1981, a actividade da Mesa Administrativa esmoreceu. A Misericórdia vira-se para outras valências, substituindo o Asilo por um Lar de Idosos, que abre em 1981.

Hospital Visconde de Salreu

Construído sob projecto do arquitecto Manuel Joaquim Norte Júnior, entre 1926 e 1935, ano em que foi inaugurado, funcionou durante os primeiros meses no edifício do Asilo, enquanto não estava pronto a utilizar o seu edifício. O Hospital Visconde de Salreu era considerado, nos primeiros anos, um dos melhores do país, possuindo equipamentos e características avançados para a época. António Salazar, que o visita em 1935, mostra-se impressionado com o que vê.

Ficaram de início encarregues da enfermagem 4 Irmãs Franciscanas Missionárias de Calais, número que viria depois a aumentar, e diversos médicos do concelho de Estarreja prestaram serviço no Hospital, em muitos casos gratuitamente. Também sem vencimento, o Prof. Doutor Bissaya Barreto vinha regularmente de Coimbra realizar cirurgias.

Por outro lado, alguns mecenas locais, como Joaquim Maria de Rezende e Adelino Dias Costa, fariam significativas doações em bens e dinheiro para que o Hospital e a Misericórdia funcionassem.

A partir de 1975 o Hospital passou a ser administrado pelo Estado. Com o encerramento da Obstetrícia (1985) deixam de nascer ali crianças, e em 2008 terminam as Urgências.

Terceira Idade

Em 1936 abria portas o Asilo Viscondessa de Salreu, com 7 asiladas. Destinava-se a idosos, deficientes e abandonados da sorte em geral. Mais tarde transitou do seu edifício original para as casas situadas atrás do Hospital, cuja demolição se iniciou em 1978, altura em que tinha 50 utentes, para concluir-se no mesmo lugar o actual Lar de Idosos.

O Lar abre em 1981, mantendo a capacidade de 50 utentes, que passam a ser exclusivamente idosos. Em 2003 inauguraram-se obras de remodelação e ampliação no edifício. No mesmo local funciona desde 1987 um Centro de Dia com 20 utentes. Serve ainda de base ao Apoio Domiciliário, iniciado em 1991 com 10 beneficiários e hoje ascendendo aos 59, e ao Apoio Domiciliário Integrado, que funciona desde 2001 com 15 utentes.

Crianças e Jovens

Em espaço anexo ao original edifício do Asilo abria em 1938 o Ninho dos Pequeninos, que nos anos 50 passou a designar-se Casa da Criança. Entretanto o Asilo passaria para outro local e todo o edifício originário foi destinado a Centro Materno-Infantil (1960) e ao Jardim-escola João de Deus (1965).

No lugar do Agro de Estarreja, onde antes esteve sediada a associação Casa dos Pobres, abriu em 1984 um ATL para 50 crianças. Activo até 1992, as crianças seriam integradas no Centro Social da Teixugueira, que abria portas pouco depois.

Na antiga Casa dos Pobres esteve depois instalado um balcão da Segurança Social até 2001, ano em que o edifício ficou desocupado. Realizadas obras abriu em 2009 como sede dos serviços administrativos e financeiros da Misericórdia, com inauguração oficial em 2010.

O principal espaço da Misericórdia destinado a crianças e jovens é o Centro Social da Teixugueira. Com obra em execução desde 1984 ou antes, sob projecto do arquitecto Virgínio Moutinho, foi entregue à Misericórdia pela Câmara Municipal de Estarreja. Alguns anos depois e com longas paragens, inaugurou-se em 27.6.1993, com Creche, Jardim-de-infância e ATL. Realizaram-se posteriores obras de ampliação e climatização, inauguradas em 2005.

Por outro lado a Misericórdia teve, com o apoio da Câmara Municipal, um ATL em Veiros (1996-2005) e outro no Barreiro de Além (1999-2005), cada um com 20 crianças, e promoveu recentemente um projecto de educação itinerante denominado Andanças (2003-2005), e outro com a designação de Big Clube (2003-activo) num apartamento situado no bairro da Teixugueira.

 

Provedores

Ficou como primeiro Provedor da Misericórdia de Estarreja o Visconde de Salreu (1935-1936), título mais honorífico que executivo, já que a direcção no terreno competia ao Padre Donaciano de Abreu Freire (Provedor de 1940-1942 e 1949-1950). Pelo meio foram provedores o Padre Manuel Garrido (1942-1945) e o Padre Urbano Valente (1946-1948).

Nos anos 50 o Dr. João Assis Pereira de Melo (1952-1960), usando a sua influência junto do governo, conseguia criar novos serviços e melhorar os existentes. Depois dele vieram o Dr. Serafim Soares da Graça (1961-1963), o Dr. Joaquim de Oliveira Cruz (1964-1966) e o Monsenhor Manuel José Amador Fidalgo (1967-1976).

Segue-se um período sem Mesa Administrativa, em que a gestão era assegurada pelo antigo mesário Augusto Ferreira. Retomada a normalidade elegeu-se Provedor o Dr. Casimiro da Silva Tavares (1982-1995), a quem sucedeu a Dra. Rosa de Fátima Figueiredo (desde 1997).